19 de setembro de 2017

O fim do mundo é agora

Por Ricardo Targino

 

Há um desastre ambiental em curso no norte de Minas Gerais. O acelerado processo de desertificação que vem provocando a escassez de água e ameaçando a vida dos povos que há 13 mil anos habitam aquele território não é resultado da falta de chuva. É obra da ação predatória do capital, da ineficácia do Estado, da falta de uma política pública de educação ambiental e da inexistência de um projeto de desenvolvimento sustentável compatível com a realidade do mítico sertão mineiro.

Sem vereda, não há sertão

Os Grandes Sertões, já imortalizados pela literatura roseana, estão padecendo com a morte de suas veredas, oásis deslumbrantes que emergem na paisagem árida para oferecer abrigo e água ao sertanejo e aos animais do cerrado, da caatinga e da mata atlântica que coexistiram historicamente ali. As consequências severas dessa tragédia já se traduzem em danos irreparáveis ao ecossistema e às populações de dezenas de cidades do norte de Minas e do oeste baiano.

Por incrível que pareça, ao longo dos cem últimos anos os índices pluviométricos se mantiveram relativamente estáveis naquela parte do Brasil. Chove cerca de mil milímetros cúbicos por metro quadrado na região. A oferta de água, portanto, não sofreu grandes alterações ao longo dos anos. O que aumentou signitivamente foi a demanda.

Para entendermos esse processo é preciso examinar o modelo de desenvolvimento regional e as modificações tanto no uso dos recursos hídricos, quanto na ocupação do território e na atividade econômica. Um complexo conjunto de fatores que, combinados, já secaram rios e comprometeram lençóis freáticos, deslocando animais, alterando a vegetação, desequilibrando o bioma e inviabilizando a agricultura familiar e a permanência das famílias mais pobres no campo.

Sem água, não há vida

Foto: Lucas Aniceto / Mídia NINJA

A questão da disponibilidade de água e do uso dos recursos hídricos é estratégica no século XXI, não apenas nas regiões de maior escassez de chuva, mas para toda a humanidade e para a própria vida no planeta. É sempre bom lembrar que somos dois terços de água, tanto nós humanos como a própria Terra.

De toda a água existente no mundo, 97,5% está nos oceanos e só 2,5% corresponde a água doce, sendo que 1,72% está congelada nas calotas polares, 0,75% corresponde a águas subterrâneas e 0,02% está contida em plantas e animais. Sendo assim, só 0,01% da água do planeta está disponível em rios, lagos e represas. É isso mesmo: do total de toda a água do planeta Terra, apenas 0,01% corresponde a água doce superficial. Como ela é essencial à vida, não há recurso mais estratégico que a água e o capitalismo sabe muito bem disso.

Para acessar na íntegra, clique aqui.

 

FONTE: Mídia Ninja

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